Pesquisa aponta liderança de Helder Barbalho ao Senado e empate técnico na disputa pela 2ª vaga
O calendário eleitoral indica que a eleição de 2026 ainda está distante, mas os movimentos políticos já começaram. A pesquisa Simetria para o Senado no Pará, focada no eleitorado de Belém, vai além de um retrato inicial das intenções de voto e revela sinais importantes sobre forças, limites e movimentações no cenário local. Com duas vagas em disputa, o levantamento aponta um quadro dividido em dois níveis distintos: de um lado, Helder Barbalho, que aparece isolado na liderança; de outro, uma disputa aberta e ainda indefinida pela segunda cadeira.
Os dados que embasam a análise vêm do levantamento registrado sob o número PA 08728/2026, realizado presencialmente com 600 eleitores de Belém entre os dias 9 e 12 de abril. Com margem de erro de quatro pontos percentuais e nível de confiança de 95%, a pesquisa confirma uma percepção já presente nos bastidores: o capital político do ex-governador é elevado.
Os 49% de intenções de voto que colocam Helder Barbalho na liderança não são apenas um reflexo de capital político orgânico; representam uma fatura antecipada. A aprovação de 67% da sua gestão entre os belenenses dá ao governador uma musculatura eleitoral que praticamente anula a necessidade de campanha defensiva na capital para 2026. Para Helder, o Senado deixou de ser uma disputa de risco para se tornar uma plataforma de transição. O dado central, porém, não é a sua liderança previsível, mas o impacto que ela causa nos adversários e, principalmente, nos próprios aliados que tentarão capitalizar sua segunda opção de voto.
É exatamente no vácuo deixado pelo ex-governador que a pesquisa revela sua face mais crítica. O empate técnico pelo segundo lugar entre o deputado federal Éder Mauro (29%) e o ex-ministro do Turismo, Celso Sabino (24%), exige uma leitura que vá além da intenção de voto estimulada. Em eleições majoritárias, o índice de rejeição atua como a guilhotina de campanhas promissoras. Éder Mauro lidera esse quesito de forma alarmante, com 36% dos eleitores afirmando que jamais votariam nele. Esse número expõe o limite do extremismo de direita na capital paraense: a retórica inflamada assegura um piso eleitoral barulhento e fiel, mas ergue um muro que impede a captação maciça de eleitores moderados.
Na contramão desse desgaste, Celso Sabino emerge como o principal vencedor estratégico do levantamento. Com ínfimos 4% de rejeição, o deputado federal possui o que falta ao seu principal adversário direto: margem elástica de crescimento. Ao transitar pelo centro político e blindar sua imagem das polarizações mais desgastantes, Sabino pavimenta uma via expressa para atrair o eleitorado indeciso e os dissidentes de outras candidaturas. A baixa rejeição confere ao deputado uma viabilidade eleitoral que ameaça não apenas a oposição, mas também os planos de caciques tradicionais do estado.
O crescimento de perfis menos rejeitados acende o alerta máximo para figuras históricas e institucionais. O senador Zequinha Marinho, estacionado em 12%, vê seu espaço político encolher. O recado mais duro das urnas simuladas, no entanto, vai para nomes orgânicos da base governista. O deputado Chicão soma apenas 9% de intenção de voto e já acumula 11% de rejeição. Os números provam friamente que controlar orçamentos e ditar as regras do parlamento estadual não resulta em voto popular espontâneo. Esse enfraquecimento escancara a tensa guerra de bastidores que permeia a base aliada, onde a nítida divisão política entre lideranças como o ex-prefeito Daniel Santos e a governadora Hana Ghassan sobre a sucessão estadual começa a contaminar a organização da chapa para o Senado.
O cenário de incertezas para a segunda vaga ganha contornos ainda mais complexos quando se analisa a base de apoio local e federal em Belém. O prefeito Igor Normando tem seu mandato pressionado por 48% de desaprovação, contra 43% de aprovação. Essa ausência de "lua de mel" com a capital significa que a máquina municipal terá severas dificuldades para operar como um motor de transferência de votos em 2026. A base aliada, portanto, não poderá terceirizar responsabilidades eleitorais e dependerá quase integralmente da popularidade direta do ex-governador.
No âmbito federal, a fotografia não permite otimismo exagerado para a esquerda. A gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva racha Belém ao meio: 50% aprovam e 45% desaprovam. Essa divisão cristaliza a força do lulismo como fiador de competitividade para alianças pragmáticas de centro-esquerda, mas inviabiliza carreiras solitárias e radicais, o que explica os magros 4% do candidato Fernando Carneiro.
A conclusão que a pesquisa Simetria entrega ao mercado político é incisiva: a base governista está longe de garantir um atropelo eleitoral passivo na eleição para o Senado. Com a primeira cadeira virtualmente definida, a disputa pela segunda vaga expõe as fragilidades de quem aposta na radicalização e o alerta de quem confia apenas no peso institucional. A leitura antecipada para 2026 é dura e pragmática: vencerá a corrida não necessariamente quem grita mais alto nas pré-campanhas, mas aquele que ostentar a menor rejeição no momento em que as urnas forem abertas.



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