O inferno astral de Antônio Doido: Das investigações da PF, esquema em licitações no Pará, até pensão alimentícia


O inferno astral de Antônio Doido: Das investigações da PF, esquema em licitações no Pará, até pensão alimentícia

A Polícia Federal tem como alvo central o deputado federal Antônio Leocádio dos Santos (MDB-PA), conhecido politicamente como Antônio Doido, na Operação Igapó, deflagrada em dezembro de 2025. O inquérito, que tramita sob sigilo no Supremo Tribunal Federal, é relatado pelo ministro Flávio Dino e apura suspeitas de formação de organização criminosa, desvio de recursos públicos, fraudes licitatórias, lavagem de dinheiro e corrupção eleitoral.

As investigações concentram-se na destinação de emendas parlamentares e recursos do Governo do Estado do Pará. Segundo apurações preliminares, o suposto esquema envolveria o direcionamento de contratos públicos na área de construção civil para empresas específicas, com a utilização de uma rede de assessores e pessoas ligadas ao núcleo familiar do parlamentar.

O desencadeamento da operação e as apreensões

A fase ostensiva da Operação Igapó ocorreu no dia 16 de dezembro de 2025, com o cumprimento de 31 mandados de busca e apreensão no Pará e no Distrito Federal. Durante as diligências, foram apreendidos oito veículos de luxo, itens de alto valor, como relógios importados e uma coleção de vinhos estimada em R$ 200 mil , além de cerca de R$ 70 mil em espécie.

Por determinação do STF, também houve o bloqueio de aproximadamente R$ 17 milhões em contas dos investigados.

Relatórios da investigação apontam ainda uma tentativa de obstrução durante o cumprimento dos mandados. Agentes federais relataram, e vídeos divulgados pela imprensa indicam, que aparelhos celulares ligados ao deputado teriam sido arremessados pela janela do imóvel onde ele reside, em Belém. Os dispositivos foram recuperados e encaminhados para perícia.

O núcleo financeiro e a atuação de empresas

A investigação ganhou força a partir de dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, que identificou movimentações consideradas atípicas, além de prisões em flagrante ocorridas anteriormente.

Entre os episódios documentados, a Polícia Federal registrou a apreensão de R$ 4,6 milhões em espécie com um policial militar aposentado, em 2024, e de R$ 1,1 milhão com um assessor do deputado no início de 2025.

De acordo com a linha investigativa, saques fracionados que somariam cerca de R$ 48 milhões teriam sido realizados por intermediários, com transporte dos valores em dinheiro vivo.

No campo empresarial, as apurações citam a empresária Andrea Dantas Costa, esposa do parlamentar, como proprietária de empresas do setor de construção civil. Segundo os investigadores, essas empresas seriam utilizadas para vencer licitações previamente direcionadas.

Diante das suspeitas, o ministro Flávio Dino determinou medidas cautelares que impedem essas empresas de participar de novas licitações e de firmar aditivos com a administração pública.

O inquérito também aponta possíveis conexões dentro da estrutura administrativa estadual. O secretário de Obras do Pará, Benedito Ruy Cabral, é investigado sob suspeita de facilitar as supostas irregularidades.

No campo político, o deputado sofreu um revés recente ao ser derrotado nas eleições municipais de 2024, quando disputou a prefeitura de Ananindeua. Semanas antes da operação, ele também foi condenado, em primeira instância, por abuso de poder econômico e político.

Novos desdobramentos judiciais ampliam pressão

Paralelamente à investigação criminal, o parlamentar passou a enfrentar decisões judiciais em outras esferas, ampliando o desgaste político.

No campo eleitoral, o Tribunal Regional Eleitoral do Pará manteve a condenação por abuso de poder econômico e político, impondo a inelegibilidade por oito anos. A decisão não afeta o mandato atual, mas restringe futuras candidaturas, ainda cabendo recurso ao Tribunal Superior Eleitoral.

Na esfera cível, uma decisão da 5ª Vara de Família de Belém, vinculada ao Tribunal de Justiça do Estado do Pará, determinou a revisão da pensão alimentícia paga ao filho do deputado, pessoa com deficiência. O valor foi fixado em 50% dos rendimentos brutos, com desconto direto em folha na Câmara dos Deputados.

A base de cálculo inclui o subsídio parlamentar, o 13º salário, o terço constitucional de férias e eventuais gratificações, considerando tanto a capacidade financeira do parlamentar quanto as necessidades do beneficiário.

Embora o processo tramite em segredo de justiça, a repercussão ultrapassa o âmbito privado e contribui para manter o nome do deputado em evidência

Impacto e projeções

A sobreposição de investigações criminais, decisões eleitorais e determinações na esfera cível consolida um cenário de pressão crescente sobre o parlamentar.

No ambiente político, aliados avaliam que a associação ao nome do deputado pode gerar desgaste de imagem, enquanto adversários tendem a explorar o conjunto de episódios como elemento de fragilização pública.

Com o avanço das investigações no Supremo Tribunal Federal, os próximos desdobramentos devem definir não apenas o rumo jurídico do caso, mas também o futuro político de Antônio Doido no Pará.




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