Reforma ou Inchaço? Gestão Igor Normando amplia estrutura e enfrenta críticas por custo e rotatividade em Belém
A gestão do prefeito Igor Normando (MDB), após um ano e quatro meses à frente da Prefeitura de Belém, apresenta um cenário marcado por contradições entre o discurso de enxugamento da máquina pública e a ampliação da estrutura administrativa. O desafio de governabilidade e a constante reorganização do primeiro escalão alimentam o debate: a reforma garantiu eficiência ou apenas ampliou a burocracia?
No início de 2025, o Executivo municipal anunciou uma ampla Reforma Administrativa com a promessa de economizar cerca de R$ 35 milhões por ano. A estratégia incluiu a extinção ou incorporação de autarquias históricas. A Fundação Cultural do Município de Belém (Fumbel), por exemplo, foi absorvida pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Semcult), enquanto a Fundação Municipal de Apoio ao Estudante (Fmae) acabou incorporada à Secretaria Municipal de Educação (Semec). A Superintendência de Mobilidade Urbana (Semob) também foi substituída por uma nova estrutura com atribuições ampliadas.
Apesar da consolidação de órgãos, a atual configuração administrativa expõe o outro lado da medida. A prefeitura criou seis novas secretarias com status elevado e estrutura própria. Entraram no organograma pastas como Inclusão e Acessibilidade (Semiac), Agricultura e Pesca (Seape), Comunicação (Secom), Trabalho e Emprego (Semte), Mulher (Semu) e Segurança, Ordem Pública e Mobilidade (Segbel).
O impacto direto é o aumento da estrutura interna. A criação de novas pastas amplia a necessidade de nomeações para cargos comissionados, chefias de gabinete e assessorias, pressionando a folha de pagamento do município.
Além do peso da estrutura, a gestão também é marcada por mudanças frequentes no comando das secretarias, o que especialistas em administração pública apontam como um risco à continuidade de projetos.
Na Secretaria Municipal de Comunicação (Secom), por exemplo, a jornalista Ariela Naomi Motizuki deixou o cargo de titular para assumir a chefia de gabinete do prefeito. Para o lugar dela, foi nomeado André Silva Loureiro Godinho, conhecido empresário do marketing político paraense. O tipo de mudança exige readequação de estratégias e pode afetar planejamentos em andamento.
Outras alterações também atingiram áreas estratégicas. Na Secretaria de Gestão de Pessoas (Segep), Patrick Tranjan deixou o cargo, que passou a ser ocupado interinamente por Marcos Rodrigues de Matos, atual titular da Secretaria de Finanças (Sefin). Na Secretaria de Obras e Infraestrutura (Seinfra), Arnaldo Dopazo deixou o posto, e Cleidson Ferreira Chaves passou a acumular a função com a Secretaria de Zeladoria (Sezel).
Na Saúde (Sesma), Rômulo Nina foi substituído por Dyjane Amaral. Na Educação (Semec), Patrick Tranjan deu lugar a Beatriz Novaes. No Instituto de Assistência à Saúde dos Servidores (IASB), Tiago Ribeiro foi substituído por Humberto Spindola. Já na Fundação Papa João XXIII (Funpapa), Susi Oliveira deixou o cargo, assumido por Edna Gomes.
Também houve reestruturação de pastas já existentes. A antiga Secretaria Extraordinária de Cidadania e Direitos Humanos foi reformulada e passou a se chamar Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência Social e Direitos Humanos (Semcad), com ampliação de atribuições. O questionamento, nesse caso, é se a mudança trouxe mais agilidade no atendimento à população vulnerável ou se ficou restrita à reorganização administrativa.
Outra área sob atenção é a Secretaria Municipal de Proteção e Defesa dos Animais (Sepda). Criada a partir de uma demanda antiga, a pasta ainda enfrenta cobranças por resultados práticos, especialmente em ações como castração, vacinação e ampliação de abrigos.
Por fim, o modelo adotado reforçou a centralização administrativa. Distritos como Icoaraci, Mosqueiro e Outeiro perderam autonomia e foram transformados em subprefeituras subordinadas à Secretaria Municipal de Zeladoria e Conservação Urbana (Sezel).
Após 16 meses de governo, o centro do debate deixa de ser a estrutura e passa a ser o resultado. Sem entregas concretas, a reforma corre o risco de ser percebida não como solução, mas como ampliação de custos na máquina pública da capital paraense.



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