Troca de farpas entre Daniel Santos e Hana Ghassan marca início da pré-campanha pelo Governo do Pará
A disputa pelo Governo do Pará começou a sair dos bastidores e ganhar forma nas redes sociais. De um lado, Dr. Daniel Santos e a deputada federal Alessandra Haber iniciaram o projeto “Pará na Real”, uma agenda itinerante que pretende apresentar um estado diferente daquele mostrado nas campanhas institucionais do governo. Do outro, Helder Barbalho e Hana Ghassan apostam no discurso de continuidade administrativa, reforçando a imagem da atual governadora como sucessora direta do projeto político liderado pelo ex-governador.
O movimento acontece em meio ao acirramento do cenário eleitoral. Pesquisa Doxa divulgada em maio mostra Hana Ghassan com 29,1% das intenções de voto e Dr. Daniel Santos com 26,5% em cenário estimulado, configurando empate técnico dentro da margem de erro de 3,1 pontos percentuais. Outros levantamentos recentes, como os da Genial/Quaest, também apontam proximidade entre os dois nomes e um eleitorado ainda altamente indefinido.
A estratégia de Daniel e Alessandra é transformar as primeiras agendas públicas em conteúdo político de oposição. Em vídeo gravado em Moju, Daniel afirmou ter encontrado “um povo guerreiro” e “cansado de um governo que dá com uma mão e tira com a outra”. A fala resume o tom adotado no início da pré-campanha: percorrer municípios, ouvir moradores e associar sua imagem à ideia de mudança e contraste com a narrativa oficial do governo estadual.
O “Pará na Real” funciona como uma tentativa de ocupar o debate público antes da campanha oficial. A proposta não é apenas mostrar agendas pelo interior, mas construir a percepção de que existe um Pará distante das propagandas institucionais, das entregas de obras e dos indicadores positivos divulgados pela gestão estadual.
Alessandra Haber aparece como peça importante nessa largada. Deputada federal eleita com 258.907 votos em 2022, ela amplia o alcance político do grupo e fortalece a conexão de Daniel com segmentos do eleitorado que já acompanham sua trajetória política em Ananindeua.
Enquanto Daniel tenta ocupar o espaço da crítica e da mudança, Hana Ghassan busca consolidar a imagem de continuidade administrativa com identidade própria. Após assumir oficialmente o Governo do Pará em abril, com a saída de Helder Barbalho para disputar o Senado, Hana passou a intensificar agendas públicas e ações institucionais em áreas como segurança, educação, saúde e infraestrutura.
Nas redes sociais, Helder atua como principal avalista político da sucessora. Em publicações recentes, o ex-governador associa Hana à continuidade de um modelo de gestão baseado em obras, programas sociais e presença institucional nos municípios. O objetivo é apresentar a atual governadora não apenas como herdeira política do grupo, mas como alguém preparada para manter o projeto em andamento.
As diferenças entre as estratégias já aparecem de forma clara. Daniel e Alessandra apostam em uma comunicação de enfrentamento, mais voltada à denúncia, ao contato de rua e à crítica da realidade social. Hana e Helder trabalham uma narrativa mais institucional, emocional e associada à estabilidade administrativa.
A disputa, neste primeiro momento, ocorre menos em torno de propostas detalhadas e mais sobre a forma de interpretar o estado. Daniel tenta convencer o eleitor de que o Pará vivido pela população é diferente do Pará apresentado pelo governo. Hana busca sustentar a ideia de continuidade, experiência administrativa e manutenção de investimentos.
O peso das redes sociais ajuda a explicar a antecipação do embate político. Com um cenário ainda marcado por muitos indecisos, os dois grupos já tratam a comunicação digital como prioridade estratégica. A lógica é simples: ocupar o imaginário do eleitor antes do início oficial da campanha.
Pesquisas recentes reforçam esse cenário de equilíbrio. Levantamento Genial/Quaest divulgado em abril mostrou Hana Ghassan e Daniel Santos tecnicamente empatados, além de registrar alto índice de eleitores sem definição consolidada.
No campo governista, a aposta é transformar Helder Barbalho em fiador político da sucessão e consolidar Hana como continuidade segura da atual gestão. Já no campo oposicionista, Daniel tenta se posicionar como representante de um sentimento de mudança, usando o “Pará na Real” para confrontar diretamente a comunicação oficial do Estado.
A largada da pré-campanha indica que a eleição para o Governo do Pará tende a ser marcada por forte disputa narrativa, presença digital intensa e confronto constante entre os dois principais grupos políticos do estado. Antes mesmo do início oficial da campanha, vídeos, agendas regionais e discursos já começam a moldar a percepção do eleitor para 2026.



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