Ativista paraense está entre integrantes de flotilha interceptada por Israel rumo a Gaza


Ativista paraense está entre integrantes de flotilha interceptada por Israel rumo a Gaza

A ativista paraense Beatriz Moreira de Oliveira, natural de Belém, está entre os integrantes da Global Sumud Flotilla interceptados por forças israelenses durante uma missão humanitária com destino à Faixa de Gaza. Integrante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e do Movimiento de Afectados por Represas (MAR), Beatriz participava da ação internacional que levava alimentos, medicamentos, água e outros insumos à população palestina. Desde a abordagem das embarcações, familiares e movimentos sociais afirmam não ter mais conseguido contato com a ativista.

A denúncia ganhou repercussão após a internacionalista, mestra em ciência política e militante Anna Mathis informar que o celular utilizado por Beatriz deixou de responder logo após a ação no mar Mediterrâneo. Segundo relatos divulgados por movimentos sociais, não havia informações sobre o paradeiro da embarcação nem sobre a situação dos tripulantes após a operação. Organizações ligadas à missão classificaram o episódio como uma detenção ilegal em águas internacionais.

Em nota oficial, o MAB informou que a abordagem ocorreu na segunda-feira (18), a menos de 250 milhas náuticas da Faixa de Gaza. Segundo o movimento, forças israelenses cercaram embarcações civis da flotilha e detiveram centenas de ativistas de diferentes nacionalidades. Além de Beatriz, o grupo brasileiro incluía Ariadne Telles, coordenadora da Global Sumud Brasil; Thainara Rogério; e o médico pediatra Cássio Guedes Pelegrini Júnior.

A Global Sumud Flotilla afirma que a frota saiu de Marmaris, na Turquia, com o objetivo de estabelecer um corredor humanitário para Gaza. De acordo com os organizadores, os participantes estavam desarmados e atuavam em uma missão civil e não violenta. A organização acusa Israel de impedir a chegada de ajuda humanitária a uma população que enfrenta grave crise humanitária.

A ação também foi repercutida pela imprensa internacional. A Reuters informou que, segundo os organizadores da missão, 48 embarcações foram interceptadas e cerca de 400 pessoas detidas. Israel declarou que a operação ocorreu para impedir a violação do bloqueio naval imposto à Faixa de Gaza e afirmou que não houve uso de munição letal nem registro de feridos.

O governo israelense sustenta que o bloqueio marítimo é legal e necessário por razões de segurança. Já entidades humanitárias e movimentos ligados à flotilha afirmam que a abordagem em águas internacionais viola normas do direito internacional e impede a entrada de ajuda em Gaza. A Associated Press relatou que as embarcações foram interceptadas a cerca de 268 quilômetros da costa palestina e que ativistas denunciaram destruição de câmeras durante a ação.

O caso provocou reação de lideranças políticas no Pará. A deputada estadual Lívia Duarte cobrou providências do Itamaraty e pediu a libertação dos brasileiros envolvidos na missão. Segundo o jornal O Liberal, o Ministério das Relações Exteriores informou que acompanha o caso por meio da Embaixada do Brasil em Tel Aviv e mantém contato com autoridades israelenses e representantes da flotilha para obter informações sobre os brasileiros.

A missão ocorre em meio ao agravamento da crise humanitária em Gaza, marcada pela escassez de alimentos, medicamentos, moradia e serviços básicos. Para os movimentos que integram a flotilha, a presença de Beatriz representa um gesto de solidariedade internacional e reforça a pressão para que o governo brasileiro atue diplomaticamente pela localização, proteção e eventual libertação dos participantes detidos.

Até o fechamento desta matéria, não havia confirmação pública independente sobre o local para onde Beatriz Moreira foi levada após a operação. Enquanto movimentos sociais tratam o caso como desaparecimento temporário e detenção ilegal, Israel mantém a posição de que a ação foi uma medida de segurança para impedir a quebra do bloqueio naval imposto à Faixa de Gaza.




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