Criminosos usam mochilas de entrega em assaltos e aumentam insegurança entre trabalhadores por aplicativo em Belém
O uso de mochilas de entrega por criminosos para se passar por trabalhadores de aplicativo tem aumentado a sensação de insegurança em Belém e na Região Metropolitana. Além de assustar moradores, a prática também afeta diretamente a rotina de entregadores e motoristas que dependem das plataformas para trabalhar e já enfrentam uma rotina marcada pela exposição constante nas ruas.
Um dos casos que reacendeu o debate ocorreu no dia 21 de abril, no bairro Parque Verde, em Belém. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que um homem em uma motocicleta modelo Pop branca, carregando uma bag de entregas, se aproximou de um jovem na passagem Andreza, sacou uma arma de fogo e roubou o celular da vítima. Após o assalto, o suspeito fugiu do local.
Moradores da área relataram que o mesmo modo de agir já teria sido percebido em outras ocorrências na região. A utilização de equipamentos comuns entre entregadores, como mochilas térmicas, passou a gerar preocupação porque dificulta a identificação imediata entre profissionais que estão trabalhando e criminosos tentando se disfarçar.
O reflexo da situação já é sentido por quem trabalha diariamente nas ruas. Entregadores afirmam que a desconfiança aumentou durante atendimentos em condomínios, residências e estabelecimentos comerciais. Em alguns casos, profissionais relatam abordagens mais rígidas, demora na liberação de entrada e olhares de suspeita durante as entregas.
Ao mesmo tempo, os próprios trabalhadores continuam entre as principais vítimas da violência urbana. Motoristas e entregadores de aplicativo relatam medo de cair em emboscadas montadas por criminosos, que usam falsas corridas ou pedidos para atrair vítimas até áreas isoladas ou com pouca movimentação.
Na madrugada desta terça-feira (5), um motorista de aplicativo foi assaltado e agredido durante uma corrida no bairro Santa Clara, em Marituba. Segundo informações divulgadas nas redes sociais, criminosos levaram pertences da vítima e abandonaram o veículo na região. O caso voltou a mobilizar discussões entre trabalhadores sobre os riscos enfrentados durante o serviço.
A expansão do trabalho por aplicativo ajuda a dimensionar o problema. Dados do IBGE apontam que o Brasil possui cerca de 1,7 milhão de pessoas atuando em plataformas digitais de transporte e entrega. Em meio ao crescimento da atividade, também se tornaram mais frequentes os relatos de assaltos, ameaças e violência contra profissionais do setor.
Em Belém e nos municípios da Região Metropolitana, trabalhadores afirmam que a insegurança alterou a rotina de trabalho. Muitos evitam determinadas áreas, recusam corridas no período da noite ou deixam de aceitar entregas em bairros considerados mais perigosos. Para quem depende exclusivamente dos aplicativos como fonte de renda, cada corrida recusada representa perda financeira. Por outro lado, aceitar determinadas chamadas pode significar exposição a riscos elevados.
Entre a necessidade de garantir renda e o medo da violência, entregadores e motoristas seguem tentando trabalhar em meio a uma rotina cada vez mais incerta. Nas ruas da capital paraense, equipamentos que deveriam representar apenas trabalho passaram também a ser associados à desconfiança, revelando como a criminalidade afeta não apenas as vítimas diretas dos assaltos, mas toda uma categoria profissional.



COMENTÁRIOS