PF aponta uso de credenciais do MPF para acesso a processos sigilosos ligados ao Banco Master.


PF aponta uso de credenciais do MPF para acesso a processos sigilosos ligados ao Banco Master. Reprodução/ Redes Sociais

Relatórios da Polícia Federal (PF) enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF) apontam que credenciais de servidores do Ministério Público Federal (MPF) teriam sido utilizadas para consultar processos e procedimentos sigilosos relacionados a pessoas consideradas desafetos de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Os documentos passaram a ser públicos nesta quinta-feira (10), após decisão do presidente do STF, ministro Edson Fachin.

De acordo com a investigação, dados de acesso vinculados a servidores do MPF no Maranhão e no Rio Grande do Sul aparecem de forma recorrente em documentos consultados por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, apontado pelos investigadores como integrante do grupo que monitorava pessoas ligadas ou consideradas adversárias de Vorcaro.

Um dos acessos teria utilizado a conta da servidora Alina Franco Boueres de Araújo, lotada no MPF do Maranhão. Segundo a PF, documentos obtidos por Mourão foram gerados pelo usuário da servidora, inclusive em consultas envolvendo processos sob sigilo. Entre os procedimentos acessados estariam investigações relacionadas ao próprio Vorcaro e a empresários e investidores que haviam feito críticas ou denúncias envolvendo o Banco Master.


O MPF do Maranhão informou que Alina foi vítima de phishing, golpe utilizado para obter informações pessoais e credenciais de acesso. Segundo o órgão, a situação foi identificada após comunicação da Polícia Federal, em 2025, e medidas foram adotadas para bloquear os acessos indevidos e evitar novos incidentes.

Outro caso envolve o servidor Daniel Souza Iost, do MPF do Rio Grande do Sul. Conforme os investigadores, a credencial dele teria sido utilizada para acessar 15 documentos relacionados a investigações, sendo 11 classificados como sigilosos. A PF também apontou que um arquivo teria sido alterado visualmente para esconder a identificação do usuário responsável pela consulta. O MPF gaúcho informou que o uso da credencial está sendo analisado.

Os investigadores ressaltaram, entretanto, que os servidores não são considerados investigados no caso, uma vez que ainda era necessário esclarecer se as credenciais foram obtidas por invasão, por meio de golpes virtuais ou se houve fornecimento voluntário dos dados.

Segundo a PF, a utilização das credenciais teria permitido o acesso a informações protegidas que, em princípio, não estariam disponíveis regularmente a Mourão. Os documentos analisados também apontariam consultas relacionadas a investigações envolvendo a negociação do Banco Master com o Banco de Brasília (BRB).


A Polícia Federal afirmou que a repetição dos acessos levanta a necessidade de aprofundar a apuração sobre a origem das credenciais, a forma como os documentos foram obtidos e eventual comprometimento do sigilo de investigações. O caso segue sob investigação e, até o momento, não há conclusão definitiva sobre a responsabilidade dos servidores mencionados.




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