Banco Master: PF prende dono e investiga esquema bilionário com ligações políticas
O Banco Central determinou, em 18 de novembro de 2025, a liquidação extrajudicial do Banco Master após identificar uma grave crise de liquidez e indícios de irregularidades contábeis. No mesmo dia, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, que apura um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo a instituição.
O controlador do banco, Daniel Vorcaro, foi preso em 4 de março de 2026, acusado de liderar operações fictícias de crédito e lavagem de dinheiro. O caso já é considerado um dos maiores escândalos recentes do sistema financeiro brasileiro.
CRESCIMENTO ACELERADO E RISCO ELEVADO
Com sede em São Paulo, o Banco Master ganhou destaque no mercado ao oferecer investimentos com alta rentabilidade, especialmente por meio de CDBs acima da média.
Sob gestão de Vorcaro, a instituição passou por uma rápida expansão: o patrimônio saltou de R$219 milhões para mais de R$5 bilhões em cerca de cinco anos. A estratégia incluiu aquisições de empresas financeiras e atuação agressiva na captação de recursos.
Esse crescimento acelerado, no entanto, aumentou a exposição do banco a riscos, principalmente de liquidez.
ESQUEMA DE FRAUDES E LAVAGEM DE DINHEIRO
As investigações apontam que o banco operava um esquema estruturado de fraudes, baseado na concessão de empréstimos sem lastro, manipulação de ativos e uso de fundos de investimento para ocultar prejuízos.
Parte dos recursos teria sido desviada para operações de lavagem de dinheiro, com indícios de ligação com organizações criminosas. O rombo estimado pode chegar a até R$17 bilhões.
No caso dos empréstimos consignados, milhares de contratos apresentaram irregularidades, o que levou o INSS a suspender operações com o banco ainda em 2025.
OPERAÇÃO DA PF AVANÇA EM TRÊS FASES
A Operação Compliance Zero foi dividida em três fases, realizadas entre novembro de 2025 e março de 2026.
Ao longo das etapas, a Polícia Federal cumpriu dezenas de mandados de busca e prisão, além de bloquear valores bilionários ligados aos investigados. As apurações evoluíram de suspeitas de fraude contábil para possíveis crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro e obstrução de justiça.
Até o momento, dezenas de pessoas seguem sob investigação.
BANCO CENTRAL LIQUIDA INSTITUIÇÃO E ACIONA GARANTIA
A liquidação extrajudicial do Banco Master foi adotada pelo Banco Central para conter riscos ao sistema financeiro e proteger investidores.
Os valores aplicados por clientes passaram a ser cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), respeitando o limite de R$250 mil por CPF ou CNPJ. Outras instituições ligadas ao grupo também foram atingidas, e o BC passou a monitorar os impactos no mercado, incluindo prejuízos em negociações com outros bancos.
O caso mobilizou o Congresso Nacional. A CPMI do INSS e a CPI do Crime Organizado investigam fraudes em empréstimos consignados e possíveis conexões com redes criminosas.
Parlamentares estimam prejuízos que podem chegar a dezenas de bilhões de reais e analisam centenas de pedidos de indiciamento. Há também pressão para a criação de uma comissão específica dedicada ao caso.
CONEXÕES POLÍTICAS LEVANTAM SUSPEITAS
Vazamentos e documentos revelaram supostos contatos entre o banco e personagens do alto escalão político. O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega (PT) aparece como consultor do Master, recebendo cerca de R$1 milhão por mês (aproximadamente R$11 milhões no total) por tentar viabilizar a venda do banco para o BRB; ele nega irregularidades.
Outro ex-ministro, Ricardo Lewandowski, teve seu escritório contratado pelo banco para serviços advocatícios que teriam rendido valores milionários à família.
O próprio ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu um encontro fora da agenda em 2024 com Vorcaro, intermediado por Mantega, e afirmou não ter conhecimento de irregularidades. A esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes, Viviane Barci, também figura nas apurações: seu escritório manteve contrato de R$129 milhões com o banco (ela nega envolvimento na negociação).
No Legislativo, mensagens de Vorcaro obtidas pela PF citam encontros com os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre. O senador Ciro Nogueira também aparece citado em conversas.
Embora o núcleo das apurações seja nacional, o caso teve repercussão no Pará após a revelação de investimentos públicos. Sob pressão da oposição, ganhou destaque que o Banpará, banco estadual controlado pelo governador Helder Barbalho, aplicou R$95,6 milhões em um fundo ligado ao Master (FIDC Rover).
A situação gerou reação de parlamentares paraenses. O senador Zequinha Marinho (Podemos-PA) classificou o episódio como “um escândalo de proporções bilionárias” e defendeu uma investigação rigorosa. O deputado federal Éder Mauro (PL-PA) criticou o uso de recursos públicos, enquanto o deputado estadual Rogério Barra (PL) cobrou esclarecimentos do governo estadual.
IMPACTOS ECONÔMICOS E PARA INVESTIDORES
O colapso do Banco Master afetou milhares de investidores e colocou em risco recursos públicos.
Estima-se que o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) terá de cobrir cerca de R$41 bilhões, um valor recorde. Aproximadamente 1,6 milhão de credores devem ser ressarcidos, respeitando o limite de R$250 mil por CPF ou CNPJ.
Valores acima desse teto não têm garantia. Além disso, fundos de previdência estaduais e municipais somam cerca de R$1,8 bilhão em aplicações ligadas ao banco, o que pode gerar prejuízos diretos a servidores e aposentados.
UM DOS MAIORES ESCÂNDALOS RECENTES
Com impacto bilionário, alcance nacional e ramificações políticas, o caso do Banco Master é tratado como um dos mais complexos escândalos financeiros dos últimos anos.
As investigações seguem em andamento e podem ampliar ainda mais o número de envolvidos e o tamanho do prejuízo.



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