Torcedora é agredida nas arquibancadas do Baenão durante jogo entre Remo e Cruzeiro, clube ainda não se pronunciou sobre o caso
Reprodução: WhatsApp Uma partida de futebol no Estádio Baenão, que deveria ser um momento de celebração esportiva entre o Clube do Remo e o Cruzeiro Esporte Clube, no último sábado (25), foi marcada por um episódio de violência contra a mulher. Uma integrante da Barra Brava Camisa 33, torcida organizada do clube paraense, foi agredida fisicamente por um homem ainda não identificado nas arquibancadas.
De acordo com relatos de testemunhas e nota oficial da Camisa 33, o caso ocorreu ao final do primeiro tempo. A agressão teria sido motivada por insatisfação do agressor com a movimentação das bandeiras da torcida. Após proferir ofensas verbais direcionadas à vítima, o homem desferiu um soco no rosto da torcedora, causando lesão.
O caso ganha contornos ainda mais graves diante do relato de dificuldade para o registro do Boletim de Ocorrência (BO). Segundo áudios de integrantes da torcida que circulam em grupos de mensagens, a polícia militar presente no Baenão teria se recusado a registrar a ocorrência no momento, alegando que a vítima precisaria apresentar o nome completo do agressor, exigência que não é necessária para o início de uma investigação.
Devido à negativa inicial e ao tumulto gerado, a vítima só conseguiu registrar o Boletim de Ocorrência nesta segunda-feira (27). “A polícia no Baenão falou que só dava para registrar se ela tivesse o nome do acusado. Eles negaram fazer o boletim. Ela não conseguiu fazer no dia do jogo e fez hoje”, relatou uma integrante da torcida em áudio obtido pela reportagem.
Em nota oficial, a Camisa 33 classificou a agressão como “covarde, criminosa e inaceitável”. A torcida destacou o caráter machista do ataque, ressaltando que, embora houvesse homens manipulando as bandeiras no momento, a violência foi direcionada exclusivamente à mulher.
O episódio reacende o debate sobre a segurança de mulheres em praças esportivas. A ausência de agentes de segurança nas proximidades no momento da agressão foi apontada pela torcida como indício de falhas no protocolo de proteção ao torcedor.
O caso agora segue sob investigação após o registro do BO. A identificação do agressor é considerada fundamental não apenas para a responsabilização individual, mas também para reforçar que atos de violência e misoginia não devem ser tolerados dentro do Estádio Baenão.
Até o momento, o Clube do Remo não se manifestou oficialmente sobre o caso e nem informou a adoção de medidas em relação ao ocorrido. A Camisa 33 ainda aguarda as imagens das câmeras de monitoramento do estádio solicitadas pela organizada.



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