Enchentes em Belém: de quem é a culpa?


Enchentes em Belém: de quem é a culpa?

As fortes chuvas registradas em abril de 2026 voltaram a provocar alagamentos em diversos pontos de Belém, afetando a mobilidade urbana e causando prejuízos à população. O cenário reacendeu o debate sobre a eficiência das obras de drenagem na capital e intensificou a disputa política entre a atual gestão municipal e a administração anterior.

O ex-prefeito Edmilson Rodrigues criticou a condução das políticas de infraestrutura pela atual gestão, liderada por Igor Normando. Em publicações nas redes sociais, ele afirmou que projetos de macrodrenagem iniciados durante seu mandato teriam sido paralisados, incluindo intervenções em canais e obras vinculadas ao Programa de Saneamento da Bacia da Estrada Nova (Promaben).

Segundo o ex-prefeito, a interrupção dessas iniciativas contribuiu para o agravamento dos alagamentos em bairros periféricos. Ele também mencionou obras como a macrodrenagem da bacia do Mata Fome e intervenções no Igarapé São Joaquim.

A Prefeitura de Belém, por sua vez, contesta essa versão. Em agenda no canal do Mata Fome, o prefeito Igor Normando afirmou que encontrou estruturas comprometidas e áreas ocupadas irregularmente, o que dificultaria o escoamento da água. A gestão também destacou ações emergenciais de limpeza e desobstrução de canais.

O debate ganhou novos contornos com a atuação da Polícia Federal, que investiga possíveis irregularidades em obras de macrodrenagem executadas entre 2020 e 2024. As apurações envolvem contratos relacionados ao canal do Mata Fome e incluem suspeitas de desvio de recursos públicos.

A investigação repercutiu na Câmara Municipal de Belém, onde vereadores passaram a discutir a responsabilidade pelas falhas na infraestrutura urbana. Parlamentares da base governista e da oposição trocaram críticas sobre a execução das obras e a aplicação dos recursos.

O vereador André Martha afirmou que os problemas enfrentados atualmente são resultado de falhas acumuladas ao longo de diferentes gestões. Já vereadores da oposição cobram explicações sobre a continuidade e fiscalização dos projetos.

Especialistas em urbanismo apontam que os alagamentos em Belém têm causas estruturais, como a ocupação de áreas de várzea, a deficiência histórica no sistema de drenagem e a necessidade de investimentos contínuos em macrodrenagem. Intervenções pontuais, segundo eles, não são suficientes para resolver o problema de forma definitiva.

Enquanto o debate político avança e as investigações seguem em curso, moradores das áreas mais afetadas continuam enfrentando os impactos das chuvas, com perdas materiais e dificuldades de deslocamento. Diante desse cenário, permanece a dúvida que ultrapassa a disputa entre gestões: a responsabilidade pelos alagamentos está concentrada em decisões recentes ou é resultado de um problema histórico acumulado ao longo de décadas? Para a população, que lida diariamente com ruas alagadas e prejuízos recorrentes, a resposta ainda não chegou e os efeitos das enchentes continuam sendo imediatos.




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