A Cidade Partida: periferias de Ananindeua enfrentam abandono enquanto áreas centrais recebem investimentos
Moradores de áreas periféricas de Ananindeua têm intensificado protestos para denunciar a precariedade da infraestrutura urbana no município. Em uma manhã desta semana, residentes da rua Santana do Aurá bloquearam a via com pneus e entulho para chamar atenção às condições de trafegabilidade. A principal reivindicação é básica: acesso digno às ruas, frequentemente tomadas por lama e água de esgoto.
O episódio expõe um problema estrutural que se repete em diversos bairros, como Icuí, Curuçambá, Júlia Seffer, Águas Lindas e Águas Brancas. Nessas regiões, a ausência de pavimentação, drenagem e saneamento básico resulta em alagamentos constantes, sobretudo durante o período de chuvas. A água acumulada invade residências, danifica bens e compromete a rotina das famílias.
Além dos prejuízos materiais, a situação impacta diretamente a mobilidade. Moradores relatam dificuldades para se deslocar ao trabalho ou à escola, enquanto serviços de transporte evitam circular em áreas consideradas intrafegáveis. O cenário contribui para o isolamento de comunidades inteiras.
Os efeitos também chegam ao sistema de saúde. A exposição contínua a esgoto a céu aberto e água contaminada favorece o surgimento de doenças como leptospirose, dengue e infecções gastrointestinais, aumentando a demanda nas unidades públicas.
As críticas também recaem sobre o direcionamento dos investimentos municipais. A atual gestão, iniciada sob o comando do ex-prefeito Dr. Daniel Santos e hoje conduzida pelo prefeito Hugo Atayde, tem priorizado, segundo moradores, obras de revitalização urbana em áreas centrais, especialmente no entorno da Cidade Nova.
Embora essas iniciativas ampliem espaços de lazer e convivência, moradores da periferia apontam desequilíbrio na aplicação dos recursos públicos. O modelo atual prioriza intervenções de impacto visual mais imediato, enquanto obras estruturais, como drenagem e saneamento, seguem em segundo plano.
A falta dessas melhorias perpetua desigualdades históricas no município, marcado por crescimento desordenado e ocupações sem planejamento urbano. Diante desse cenário, moradores cobram mudança de prioridades e maior atenção às áreas mais vulneráveis.
A situação evidencia um contraste dentro do próprio município: de um lado, regiões com espaços urbanizados e revitalizados; de outro, comunidades que ainda convivem com lama, alagamentos e ausência de serviços essenciais. Para os moradores dessas áreas, a principal reivindicação não é por novos equipamentos urbanos, mas por condições mínimas de dignidade.



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