Entre obras, críticas e capital político, legados de Helder Barbalho e Dr. Daniel Santos moldam disputa no Pará


Entre obras, críticas e capital político, legados de Helder Barbalho e Dr. Daniel Santos moldam disputa no Pará

O Pará entra no ciclo eleitoral de 2026 sob disputa não apenas de candidatos, mas também de legados administrativos. A saída de Helder Barbalho do Governo do Estado e a renúncia de Daniel Barbosa Santos da Prefeitura de Ananindeua abriram uma nova fase política marcada pela comparação entre estilos de gestão, grandes obras, programas sociais, investigações e cobranças da população sobre resultados concretos no dia a dia.

No governo estadual, Helder consolidou uma administração fortemente associada a obras estruturantes, presença institucional nos municípios e articulação política ampla. Entre as entregas mais simbólicas estão o BRT Metropolitano, com terminais em Ananindeua e Marituba, frota de 265 ônibus e promessa de beneficiar mais de 700 mil pessoas na Região Metropolitana de Belém; o Hospital da Mulher do Pará, entregue em 2025 com 120 leitos, sendo 20 de UTI; além das intervenções ligadas à COP30, que incluem obras de mobilidade, reurbanização e espaços públicos.

A gestão estadual também apostou em políticas sociais com forte presença territorial. As Usinas da Paz, vinculadas ao programa Territórios pela Paz, tornaram-se uma das principais vitrines do governo em áreas vulneráveis, oferecendo serviços de cidadania, esporte, cultura, qualificação profissional e assistência social. A primeira-dama Daniela Barbalho teve participação frequente em agendas sociais e programas como o Sua Casa, voltado à construção, reforma e ampliação de moradias.

Na saúde, a ampliação da rede hospitalar e a entrega de novas unidades ajudaram a fortalecer o discurso de expansão dos serviços públicos. Na educação, o governo investiu em reconstrução de escolas, implantação de ensino integral e programas de incentivo vinculados a metas de aprendizagem.

Apesar das entregas, a gestão estadual também acumulou críticas. Parte da população reconhece avanços em obras de grande visibilidade, mas cobra melhorias mais perceptíveis em áreas como saúde básica, segurança pública, saneamento, transporte regular e interiorização de investimentos.

A preparação para a COP30 projetou Belém internacionalmente e ampliou a visibilidade do governo estadual, mas também trouxe questionamentos sobre transtornos urbanos, pressão imobiliária, impactos ambientais e o receio de que parte dos investimentos fique concentrada apenas na capital.

Em Ananindeua, a gestão de Dr. Daniel construiu um perfil político mais ligado ao cotidiano urbano e às obras de bairro. A prefeitura passou a divulgar requalificação de vias, asfaltamento, iluminação pública, intervenções comunitárias e ampliação de equipamentos de saúde. Em 2024, a administração informou a entrega da 110ª rua requalificada em três anos. Já em 2025, novas frentes de obras foram anunciadas em bairros como 40 Horas, Icuí e Distrito Industrial.

Na saúde municipal, a inauguração do primeiro Pronto-Socorro Municipal de Ananindeua, com 75 leitos e 10 UTIs, foi apresentada como um dos principais marcos da gestão. A prefeitura também ampliou unidades básicas de saúde e programas voltados a gestantes e famílias em situação de vulnerabilidade. A deputada federal e primeira-dama do município, Alessandra Haber, teve presença constante em agendas sociais e ações ligadas à assistência comunitária.

A força política da gestão apareceu nas urnas. Dr. Daniel foi reeleito em 2024 com mais de 83% dos votos válidos em Ananindeua, consolidando uma das maiores vitórias eleitorais do estado e ampliando seu peso no cenário político paraense.

O mesmo ciclo administrativo, porém, também passou a ser acompanhado por críticas e investigações. A saúde municipal foi alvo de cobranças na Assembleia Legislativa, com questionamentos sobre atendimento e funcionamento da rede pública. Em março de 2026, o ministro Alexandre de Moraes autorizou a retomada de investigações envolvendo Daniel Santos em apuração conduzida pelo Ministério Público do Pará e pelo Gaeco sobre supostas fraudes em licitações.

As investigações seguem sem condenação definitiva, mas passaram a integrar o debate público sobre transparência, fiscalização e os limites entre aprovação popular e controle institucional.

A comparação entre os dois grupos ajuda a explicar o atual cenário político do Pará. Helder Barbalho construiu uma imagem ligada a grandes obras, articulação estadual, investimentos estruturantes e projeção internacional com a COP30. Já Dr. Daniel consolidou uma gestão mais próxima do cotidiano urbano, baseada em obras visíveis nos bairros, comunicação direta e forte presença local.

Os dois modelos possuem fortalezas e fragilidades. Grandes projetos costumam projetar capacidade administrativa e ampliar visibilidade política, mas também geram cobranças sobre custos, impacto social e distribuição regional dos investimentos. Gestões municipais mais próximas da população tendem a produzir identificação imediata, mas ficam mais expostas a problemas ligados à execução de serviços essenciais, fiscalização e estrutura administrativa.

O embate entre esses grupos políticos já começa a aparecer também nas pesquisas para o Governo do Pará em 2026. Levantamentos divulgados nos últimos meses mostram cenários equilibrados entre Hana Ghassan e Dr. Daniel, além de altos índices de eleitores indecisos, indicando uma disputa ainda aberta.

Mais do que uma escolha entre continuidade ou oposição, a eleição de 2026 deve funcionar como um julgamento popular sobre aquilo que efetivamente mudou na vida da população nos últimos anos.

O eleitor tende a avaliar não apenas discursos e alianças políticas, mas experiências concretas: a rua asfaltada, o hospital inaugurado, a escola reconstruída, o atendimento que funcionou, ou falhou, o transporte que melhorou ou continuou precário, a obra que transformou a cidade ou apenas alterou sua paisagem.

No fim, a disputa pelos próximos anos do Pará passa diretamente pela memória do cotidiano. E será justamente essa percepção prática da população sobre qualidade de vida, serviços públicos e confiança na gestão que deve pesar nas urnas em 2026.




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