Hantavírus volta ao radar após casos em cruzeiro, mas OMS descarta cenário de nova pandemia


Hantavírus volta ao radar após casos em cruzeiro, mas OMS descarta cenário de nova pandemia

O hantavírus voltou a chamar atenção das autoridades sanitárias internacionais após um surto associado ao cruzeiro MV Hondius, embarcação que partiu de Ushuaia, no sul da Argentina, em direção ao Atlântico Sul. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), até o dia 7 de maio foram registrados oito casos suspeitos relacionados ao episódio, com três mortes. Cinco infecções já haviam sido confirmadas para hantavírus.

Apesar da repercussão internacional e do aumento recente de casos na Argentina, a OMS afirma que o risco para a população em geral permanece baixo e não há indicativo de um cenário semelhante ao de uma nova pandemia.

O hantavírus não é uma doença nova. Trata-se de um grupo de vírus transmitidos principalmente por roedores silvestres, que eliminam o agente infeccioso pela urina, saliva e fezes. A infecção humana ocorre, na maioria das vezes, pela inalação de partículas contaminadas presentes em poeira, galpões fechados, plantações, trilhas, acampamentos e áreas rurais com infestação de roedores.

No Brasil, a principal manifestação da doença é a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus, considerada grave e de evolução rápida. Segundo o Ministério da Saúde, o quadro pode causar insuficiência respiratória severa e comprometimento cardiovascular.

Os sintomas iniciais costumam se confundir com outras infecções virais, o que dificulta o diagnóstico precoce. Febre, dor de cabeça, dores musculares, dor abdominal, náuseas e mal-estar geralmente aparecem primeiro. Nos casos mais graves, a doença evolui para falta de ar, tosse seca, queda de pressão arterial e insuficiência respiratória.

De acordo com a OMS, os sintomas podem surgir entre uma e oito semanas após a exposição ao vírus.

O ponto que mais chamou atenção no surto recente foi a identificação do chamado vírus Andes, variante encontrada na América do Sul. Diferentemente de outros hantavírus, ele possui registros raros de transmissão entre pessoas, geralmente em situações de contato próximo e prolongado, como entre familiares ou parceiros.

Ainda assim, especialistas ressaltam que isso não significa uma disseminação fácil ou em larga escala. A transmissão humana do vírus Andes continua sendo considerada limitada e incomum, muito diferente do padrão observado na COVID-19.

Na Argentina, o Ministério da Saúde informou que o país registrou 42 casos neste ano e 101 confirmações desde o início da temporada epidemiológica iniciada em 2025.

No Brasil, a hantavirose é monitorada há décadas. Dados do Ministério da Saúde mostram ocorrência da doença em todas as regiões do país, embora os maiores registros estejam concentrados no Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Entre 2013 e 2023, foram contabilizados 758 casos confirmados e 299 mortes, com letalidade de 39,4%.

Apesar da gravidade, especialistas destacam que o risco não é homogêneo para toda a população. A maior parte das infecções ocorre em áreas rurais e está ligada a atividades ocupacionais, especialmente entre trabalhadores expostos a ambientes com presença de roedores silvestres.

As medidas de prevenção incluem evitar acúmulo de lixo e entulho, armazenar alimentos de forma adequada, vedar frestas em residências e galpões, além de ventilar ambientes fechados antes da limpeza. Também é recomendado evitar varrer locais contaminados a seco, para impedir que partículas infectadas sejam inaladas.

A comparação com a pandemia de COVID-19 ajudou a ampliar o interesse público pelo tema, mas especialistas reforçam diferenças importantes entre os dois cenários. Enquanto o SARS-CoV-2 apresentou transmissão respiratória altamente eficiente entre pessoas, o hantavírus depende principalmente do contato com roedores ou seus excrementos.

Por isso, autoridades sanitárias defendem cautela contra alarmismo e desinformação. O entendimento atual é de que o hantavírus exige vigilância epidemiológica e atenção médica rápida diante de sintomas compatíveis, especialmente após exposição a áreas de risco, mas não configura, neste momento, ameaça de pandemia global.

A principal orientação continua sendo procurar atendimento médico em casos de febre associada a sintomas respiratórios após contato com ambientes fechados, áreas rurais ou locais com sinais de infestação por roedores.




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